Crianças e tecnologia é uma pauta atual e que merece a nossa atenção.
Como sempre falo aos pais dos meus pequenos pacientes, diálogo, carinho, respeito e afeto são necessários para o desenvolvimento pleno de uma criança.
O crescimento dentro de um ambiente seguro e cheio de amor só traz benefícios para o desenvolvimento do ser humano.
Por conta disso, no ano de 2016, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), produziu o seu primeiro documento a respeito da Saúde de Criança e Adolescentes na Era Digital.
Cada vez mais é preciso estar alerta ao acesso e consumo de internet por crianças e adolescentes – tanto por questões relacionadas ao desenvolvimento, quanto por questões relacionadas à sua segurança.
Crianças e tecnologia: profissionais da área tecnológica preferem criar seus filhos sem telas
No Vale do Silício, conhecido por ser o local onde são desenvolvidas as ideias tecnológicas mais atuais, as crianças possuem a experiência de uma escola sem tecnologia.
Tudo é produzido à mão e com materiais que não necessitam de Internet ou tecnologia para funcionar. Dessa forma, as crianças e adolescentes recebem outros incentivos para o seu desenvolvimento.
Por serem da área tecnológica, os pais entendem como ela funciona e querem que seus filhos se afastem dessa realidade. Como demonstram estudos, os benefícios das telas na educação infantil são limitados e o risco de dependência da tecnologia é alto.
Um dos pioneiros da adoção do método de ensino sem tecnologias foi Bill Gates, criador da Microsoft, que mesmo em casa já limitava o tempo de tela para as crianças. Seus filhos, por exemplo, só ganharam um aparelho de celular após completarem 14 anos.
Steve Jobs, criador da Apple, também utilizava o método de redução de tecnologia dentro de casa. Em 2010, por exemplo, ele proibiu seus filhos de utilizarem o recém-criado iPad.
Sendo assim, fica o questionamento: será que a forte aderência dos pequenos à tecnologia é correta?
Ultraconectados: dados sobre o consumo de internet por crianças e adolescentes
Como afirma a Sociedade Brasileira de Pediatria, uma pesquisa realizada em 2018 com crianças e adolescentes entre 9 e 17 anos de 2964 famílias demonstra que 86% estão conectados. Ou seja, o número corresponde a 24,3 milhões de usuários da Internet. A pesquisa foi promovida pela TIC KIKS ONLINE – Brasil.
O uso ocorre através de smartphones em 93% dos casos analisados, com compartilhamento de mensagens, uso de redes sociais, jogos online, além de assistirem vídeos, filmes e séries.
De acordo com a pesquisa, os participantes relataram contato com conteúdos sensíveis sobre alimentação ou sono em 20%, formas de machucar a si mesmo em 16%, formas de cometer suicídio em 14% e experiências com o uso de drogas em 11%.
Cerca de 26% foram tratados de forma ofensiva (discriminação ou cyberbullying) e 16% relataram acesso às imagens ou vídeos de conteúdo sexual. No total da amostra, 24% ficaram muito tempo na Internet e 25% não conseguiram controlar o tempo de uso, mesmo tentando passar menos tempo na Internet.
Os dados coletados demonstram claramente os riscos que o consumo exagerado de internet pode oferecer na vida das crianças e dos adolescentes, podendo causar transtornos de saúde mental e problemas comportamentais.

O Dilema das Redes, documentário realizado pela Netflix, demonstra os perigos relacionados ao exagero na utilização das redes sociais.
Como funciona o desenvolvimento cerebral de uma criança?
De acordo com o Manual da SBP, os primeiros 1000 dias são de extrema importância para o desenvolvimento cerebral e mental de qualquer criança, bem como os seus primeiros anos de vida.
Diferentes regiões cerebrais amadurecem de acordo com diversos estímulos, como o toque, o visual, os sons e cheiros.
Da mesma maneira, o olhar e a presença do pai e da mãe é essencial e insubstituível como fonte natural para os estímulos citados.
Por isso, como sempre digo aos meus pacientes, a melhor tela sempre será o olhar dos pais.
O atraso no desenvolvimento da fala e da linguagem acontece frequentemente em situações onde o bebê fica exposto à telas por períodos prolongados de tempo. Por conta disso, é necessário estabelecer uma rotina de sono, alimentação e lazer adequada para cada faixa etária.
Sendo assim, é importante estar atento ao tempo de maturação do córtex pré-frontal, que é responsável pelas funções cognitivas e executivas do controle dos impulsos, julgamento, resolução de problemas, atenção, inibição, memória, tomada de decisões.
O sistema límbico é estimulado por emoções, essa estimulação se intensifica no início da puberdade até os 30 anos.
É nesse momento que a curiosidade e a impulsividade tomam conta da cabeça dos jovens.
Porém, é durante esse período que começam a testar seus limites, colocando-se em situações que podem ser consideradas perigosas, para chamar atenção.
Nesse momento é de extrema importância a supervisão, regulação e engajamento da família, para que o jovem não tenha seu desenvolvimento prejudicado.
Possui alguma dúvida relacionada a utilização de tecnologia pelos pequenos? Deixe o seu comentário!