Como contar aos filhos sobre a separação do casal
A separação de um casal é uma decisão difícil e que envolve inúmeros fatores, principalmente quando existem filhos na relação.
A decisão, mesmo sendo tomada em conjunto, marca fortemente a vida da criança, que sente a mudança de maneira bastante intensa.
Por conta disso, contar aos filhos sobre a separação do casal precisa ser um processo delicado, sem envolver a criança nos problemas que levaram os adultos a se distanciar.
Afinal, as desavenças e diferenças entre o casal não podem se tornar um problema que envolva diretamente os filhos.
Pandemia colaborou para um aumento significativo no número de divórcios
Segundo dados disponibilizados pelos Cartórios de Notas do país, houve um aumento de 18,7% nos divórcios durante a pandemia, no ano de 2020. O crescimento da prática ocorreu em praticamente todos os estados brasileiros.
Dentro desse contexto, acho importante a reflexão sobre o que devemos e não devemos falar para nossos filhos durante o processo de separação, que envolve o período pré, durante e pós-divórcio.
Como abordar o assunto com as crianças e os adolescentes? Confira #10 dicas que separei para te auxiliar neste processo delicado:
Dica #1 – Diálogo é a chave principal
Estimular o diálogo é importante em todas as áreas da vida, afinal, é através dele que nos comunicamos e solucionamos os nossos problemas.
Quando falamos de separação, o primeiro passo é conversar com os filhos e explicar todos os motivos que levaram a situação a acontecer.
As crianças precisam entender que papai e mamãe não podem ou não desejam mais viver juntos. Também é importante explicar o significado da palavra divórcio, porque ela pode vir à tona e a criança precisa estar ciente do que ela representa.
Você pode utilizar a frase: “Papai e mamãe irão se divorciar e viver em casas diferentes, mas sempre iremos amar e cuidar de você.”.
Dica #2 – Não coloque a culpa em alguém
Mesmo que a situação ocorra por conta de algum acontecimento negativo ou falha de alguém, é importante não envolver os filhos nessa situação. Afinal, preservar a sua relação com o pai e a mãe é o ponto mais importante.
Mesmo assim, a criança precisa de um motivo que a faça entender o porquê da separação acontecer, sem que se sinta culpada pela situação.
Dica #3 – Organize as visitas
Organização é a chave para que a criança continue com sua rotina, recebendo poucas alterações e mudanças.
Por conta disso, é preciso explicar como acontecerão as visitas ao pai ou mãe com antecedência. Dessa maneira, a criança se prepara para o momento de maneira mais suave e tranquila.
Uma ótima ideia é utilizar um calendário, com cores, para que a criança identifique quando estará com o pai e quando estará com a mãe sem precisar perguntar o tempo todo.
Dica #4 – Mantenha a rotina
Dentro das possibilidades da nova rotina do pai e da mãe, é importante prezar pela rotina da criança, ou seja, manter o ambiente que a rodeia.
Este ambiente inclui a escola, casa, bairro e amigos, que podem auxiliá-la no processo de continuar a sua vida da maneira mais tranquila possível.
Além disso, mesmo que vivam em casas separadas, a presença de quem se mudou precisa ser constante e positiva.
Dica #5 – Não crie expectativas de reconciliação
Ao explicar para a criança sobre o divórcio, ela entenderá que laços entre seu pai e sua mãe foram rompidos.
Porém, ações que demonstrem o contrário podem confundir a percepção da criança e acabar dificultando a sua aceitação a respeito da separação.
Importante tomar cuidado com esse tipo de situação, principalmente em frente às crianças.
Dica #6 – Nunca impeça seu filho de ver o pai ou a mãe
A partir dos 12 anos de idade, a criança tem o direito de escolher, perante à Justiça, com qual responsável deseja morar.
Porém, independente da escolha, a relação com ambas as partes deve ser mantida de maneira segura e confortável, sem que ocorram impedimentos.
Para a criança, o pai e a mãe são únicos e insubstituíveis, portanto o seu direito de vê-los e conviver com cada um não deve ser retirado.
Dica #7 – Casamentos dão certo
É importante que a criança entenda que, só porque o casamento de seus pais não deu certo, não significa que nenhum outro possa funcionar.
Explique para seus filhos que um casamento é feito de amor, respeito e união de ambas as partes e em todos os momentos.
Dica #8 – É possível conviver com o divórcio
É possível sobreviver ao divórcio sim! Com o tempo, todo mundo se adapta e entende a nova rotina de convívio.
O divórcio pode ser enxergado como uma segunda chance para viver uma vida melhor e mais saudável para todas as partes.
Dica #9 – Apresentar um novo namorado (a) é um grande passo
Crianças se envolvem muito rapidamente, portanto, seus sentimentos precisam estar em primeiro lugar quando falamos sobre introduzir uma nova pessoa em suas vidas.
É preciso conversar sobre a possibilidade de encontrar uma nova pessoa e ressaltar que ela não irá substituir seu pai ou sua mãe, mas sim, ser um acréscimo positivo na família.
Dica #10 – O que você NÃO pode fazer
Falar mal um do outro: o relacionamento do casal acabou, porém a relação entre pais e filhos permanece intacta. É preciso haver respeito para que essa relação permaneça saudável
Usar os filhos para saber da vida do outro: não há necessidade de saber sobre a vida de seu ex-marido ou ex-esposa, afinal, o relacionamento de vocês já terminou.
Discutir na frente dos filhos: qualquer discussão entre o ex-casal deve acontecer longe das crianças.
Tirar a autoridade do pai ou da mãe: se a mãe disse que o filho está de castigo, o pai deve manter o castigo mesmo que não concorde com ele e vice-versa. É preciso haver diálogo a respeito de assuntos que envolvam a criação e educação da criança.
O papel do pediatra na separação de um casal
Em geral, o pediatra é uma das primeiras pessoas não-pertencentes à família que fica sabendo do divórcio. O motivo?
Além de determinados comportamentos dos pais durante a consulta, percebe-se que as crianças adoecem com maior frequência. Nesses casos – assim como em tantos outros – não adianta tratar somente a doença, visto que, enquanto a estrutura familiar não for estabilizada, a criança continuará a apresentar sintomas diversos.
Enquanto profissional da área, entendo que é papel do pediatra ser o defensor da criança em um processo de divórcio, oferecendo apoio e conselhos apropriados à família. Os pequenos devem saber que não há absolutamente nada que eles fizeram que levaram seus pais a se separar.
Ter um relacionamento familiar sólido não significa que os pais não possam se separar. No entanto, é importante que todo o processo ocorra de forma saudável, onde a criança sinta-se amada, acolhida e segura.
Lembre-se que existem ex-marido e ex-esposa. Ex-pai, ex-mãe e ex-filhos não.
Juntos ou separados, os pais sempre serão os responsáveis pela saúde e bem-estar dos filhos.