Educação para independência: a importância de educar crianças livres
“Filho é um ser que nos foi emprestado para um curso intensivo de como amar alguém além de nós mesmos, de como mudar nossos piores defeitos para darmos os melhores exemplos e aprendermos a ter coragem”. José Saramago
Um dos principais objetivos na criação dos filhos é a educação para a independência.
Ou seja: criar os filhos para que descubram e explorem o conhecimento do mundo ao seu redor, com a finalidade de desenvolver o seu potencial máximo, para se tornarem adultos independentes e responsáveis.
Porém, para que isso aconteça, é preciso que os pais entendam como estimular, quando estimular e por quê estimular as crianças.
É sobre o tema que trarei breves considerações neste artigo.
Como estimular meu filho para ser independente?
O grande sonho dos pais é de que seus filhos sejam capazes de se expressar, criar opiniões e ter autonomia lidar com as adversidades da vida.
Proporcionar um ambiente familiar confortável, onde o diálogo e o amor são as principais ferramentas, evitando atitudes de superproteção e permitindo que a criança aprenda a lidar com pequenas frustações rotineiras possibilita que os estímulos sejam positivos para promover a educação para a independência das crianças.
No entanto, é preciso tomar cuidado com o excesso de estímulos, que pode acabar causando grande pressão para que o filho se torne aquilo que os pais sempre sonharam em ser.
Quando criamos jovens independentes e capazes de expressarem suas ideias individuais, estaremos lidando com indivíduos capazes de decidir o que querem para o seu futuro, sem que as opiniões alheias estejam à frente das suas.
Neste momento, é preciso ter em mente o real objetivo da criação independente.
É então que proponho a reflexão: os seus filhos não sabem fazer ou você não quer que eles saibam?
Reflita comigo: suas atitudes enquanto pais ou responsável propiciam a independência da criança ou do adolescente?
Quando estimular e educar meu filho para a independência?
Lactentes e pré-escolares
Uma das primeiras atitudes, talvez uma das mais difíceis, que estimula a independência, auto-estima e segurança dos filhos é permitir que desde pequeno eles tenham o seu espaço, nesse sentido as orientações dos psicólogos é que assim que chegar da maternidade o bebê já seja colocado no seu quarto.
Por temores e inseguranças absolutamente normais, sobretudo aos “ marinheiros de primeira viagem”, poucos pais conseguem tomar essa atitude.
Compreendendo esses temores, oriento que a idade limítrofe para que essa invasão de privacidade da criança possa se tornar prejudicial ao desenvolvimento da individualidade, auto estima e segurança das crianças é o seis meses.
Na minha opinião, os pais que se preocupam efetivamente com o futuro do seu filho em termos de independência, autoestima e segurança na adolescência/vida adulta não devem permitir que seus filhos dividam o mesmo quarto com eles por mais do que seis meses.
Até os três anos, a criança possui maior dependência quando se fala sobre realizar tarefas individuais. Nesta fase, o objetivo principal é fornecer um ambiente seguro e, ao mesmo tempo, estimulante para a criança.
Nessa fase ela começa a se entender como ser humano e como um indivíduo independente de sua mãe, portanto, promover a confiança da criança em si e no ambiente ao seu redor é essencial.
O foco principal nesta fase deve ser em desenvolver suas habilidades motoras, como engatinhar, caminhar e correr, além de exercitar suas habilidades de linguagem, com a contação de histórias, música, entre outros. A coordenação motora também deve ser exercitada com a utilização de brinquedos e objetos adequados para a faixa etária.
Primeira infância
Durante a primeira infância, dos três aos seis anos, a promoção de oportunidades para ganhar independência em tarefas diárias deve ser incentivada, como pedir a ajuda da criança em tarefas domésticas.
Além disso, promover o crescimento da independência através da criação de uma rotina de tarefas auxilia neste processo.
É preciso oferecer oportunidades para que a criança possa aprender a se comunicar de maneira respeitosa e clara, promovendo assim a auto expressão confiante e criativa.
Segunda Infância
Crianças já em idade escolar, de seis a doze anos, necessitam de maior encorajamento para a exploração intelectual, ou seja, o foco maior deve estar em promover o aprendizado de maneira criativa e confortável, para que ela se sinta apta a buscá-lo de maneira independente.
Importante apoiar os interesses da criança e guiá-la para o desenvolvimento da imaginação como ferramenta para desenvolver a autoconfiança e independência intelectual.
Além disso, inserir dentro deste aprendizado a promoção da compreensão do papel que a criança tem na comunidade em que vive (casa, escola, bairro), para conhecer sua cultura e a diversidade dentro deste meio.
Pré-adolescência e adolescência
Crianças entre doze e quinze anos já possuem capacidades para receber atividades de maior responsabilidade para administrar, portanto, incluí-los em tarefas maiores é o ideal para desenvolver a sua autonomia.
Além disso, garantir um espaço seguro e de confiança para que o adolescente possa expressar-se com liberdade é essencial para que ele tenha prazer em buscar autonomia e independência no futuro.
Por que estimular meu filho para a independência?
Ser uma criança independente é um ensinamento que seu filho irá carregar consigo por toda a vida.
As responsabilidades e a auto iniciativa que a independência carrega consigo são essenciais para o currículo escolar, profissional e social de um ser humano.
O adolescente, ao longo dos anos, recebe tarefas que exigem dele uma maior autonomia, como as atividades do Ensino Médio e até mesmo a oportunidade de estagiar enquanto estudante.
Na graduação ou seu primeiro emprego, também espera-se dele inciativa para propor soluções criativas para a resolução de problemas e tarefas que encontrarão seu caminho.
Estimular desde cedo a independência é um ato benéfico para você e para o seu filho, porém, é preciso ter em mente que, ser independente não é ser individualista ou egocêntrico.
Afinal, para sobrevivermos no mundo atual, é preciso saber trabalhar em grupo e também acatar determinadas ordens.
E você, cria seus filhos estimulando a independência? Reflita!