Alergia e Intolerância alimentar na infância
Para algumas famílias, manter uma alimentação saudável na rotina das crianças pode ser um desafio. No entanto, mais difícil ainda é precisar lidar com restrições, como alergia e intolerância alimentar.
Como distinguir um problema do outro? Alergia alimentar é mais grave do que uma intolerância? Como garantir uma dieta saudável aos pequenos sem agravar o quadro?
Siga a leitura para entender o que cada intolerância ou alergia representa na rotina familiar.
Alergia Alimentar
A alergia alimentar é acionada quando o corpo produz anticorpos que reagem a substâncias contidas nos alimentos.
Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria a reação adversa mais comum na infância é a alergia à proteína do leite de vaca (APLV). É especialmente durante o primeiro ano de vida que os sintomas dessa alergia se manifestam com mais frequência.
Em segundo lugar aparece a alergia às nozes, mariscos e clara do ovo, cujas reações podem desaparecer com o crescimento da criança e reaparecer ao longo da vida.
Outro ingrediente que frequentemente causa reações alérgicas é o amendoim que, diferentemente do que comumente pensamos, não é considerado uma oleaginosa, mas sim, uma leguminosa.
Ou seja, apresentar uma reação alérgica ao consumir amendoim não significa que a criança será alérgica a amêndoas, nozes e outros frutos secos verdadeiros.
Sintomas de alergias alimentares
A maioria das reações alérgicas se manifesta de forma leve, com sintomas como urticária, erupções cutâneas, manchas vermelhas, diarreia, vômito, coriza e chiado no peito.
Porém, existem também as reações alérgicas mais graves, que causam insuficiência respiratória podendo evoluir inclusive para o quadro de choque anafilático, quadro clínico mais grave resultante de uma reação alérgica . Reações como essas precisam de maior atenção e encaminhamento direto à emergência hospitalar.
Sintomas da alergia à proteína do leite
De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria, os sintomas relacionados à alergia à proteína do leite podem ser agudos ou insidiosos, predominando os vômitos, diarreia e má absorção, resultando em retardo do crescimento e/ou sangue nas fezes. Ainda podem ocorrer sintomas súbitos como irritabilidade, cólica, choro intenso e recusa alimentar.
Manifestações dermatológicas e respiratórias também são frequentes, como: broncoespasmo, rinite, urticária, rash cutâneo morbiliforme, dermatite atópica, entre outros.
No caso de qualquer um dos sintomas listados, procure imediatamente o pediatra de sua confiança.
Intolerância Alimentar
Do ponto de vista clínico, a intolerância alimentar é considerada um problema menos grave do que as alergias, porém, continua sendo desconfortável, principalmente para uma criança.
A intolerância mais comum é a intolerância à lactose. Ela pode causar gases, flatulência e diarreia após o consumo de leite.
Ela comumente aparece em crianças com 4 e 5 anos, porém, relatos mostram que ela pode surgir ao longo da vida, em idades mais avançadas. É provável que você conheça algum adulto que tenha descoberto ser alérgico à lactose após os 30 anos.
A intolerância à lactose apresenta-se de maneiras diferentes, pois tudo irá depender das características do indivíduo e das quantidades consumidas por ele.
Outra intolerância muito conhecida é a intolerância ao glúten, chamada de Doença Celíaca. Ela é considerada um problema imunológico hereditário no intestino que interfere na absorção de inúmeros nutrientes presentes na proteína do trigo.
A Doença Celíaca costuma se apresentar após a introdução de produtos de trigo na dieta da criança, podendo causar problemas de crescimento, ganho de peso, diarreia, constipação e irritabilidade.
É possível evitar uma reação alérgica?
Em geral, a maior parte das alergias e/ou intolerâncias são descobertas após o surgimento de sintomas. No entanto, algumas dicas podem prevenir o agravamento do quadro alérgico.
O primeiro passo, sem dúvidas, é procurar o auxílio de um médico pediatra, que poderá oferecer o diagnóstico correto e auxiliará com todos os questionamentos a respeito do assunto.
Além disso, se você desconfia da condição de seu filho, é importante tomar alguns cuidados, principalmente quando se trata de alimentos processados.
Um exemplo são os alimentos como sorvete e margarina, que contém proteína do leite (caseína). Ou seja, podem ser responsáveis por agravar um quadro de alergia ou intolerância à lactose. Evite alimentos com caseinato de cálcio ou caseína no rótulo.
Outro item que precisa de atenção é a presença do glúten em alimentos processados. Muitos produtos já possuem o selo de gluten free para indicar alimentos livres da substância. Porém, boa parte das comidas processadas podem conter glúten em sua composição – até mesmo alimentos como ketchup e extrato de baunilha!
Para finalizar, complemento afirmando que possuir uma condição de alergia ou intolerância alimentar não prejudica a possibilidade de manter uma alimentação saudável e equilibrada. Pelo contrário, com o auxílio profissional e as inúmeras opções de substitutos, é possível garantir que seu filho cresça de maneira saudável e segura.
No caso de suspeita de alergia ou intolerância a alguma substância, interrompa o consumo imediatamente e busque auxílio do pediatra.