Você é um pai ou mãe superprotetor? Entenda as consequências
Você é um pai ou mãe superprotetor? Entenda as consequências
Quando nos tornamos pais e mães de uma criança, o nosso desejo é abraçar o mundo para que ele ou ela tenha todas as ferramentas disponíveis para viver com qualidade e ser feliz.
É comum nos empenharmos para oferecer o melhor para nossos filhos, afinal, eles são o nosso bem mais precioso.
Porém, é preciso tomar cuidado para não se tornar superprotetor e confundir apoio com fazer tudo.
Mas como identificar se você é um pai ou mãe superprotetor? Preste atenção em alguns sinais que serão abordados ao longo deste artigo, juntamente com suas consequências a longo prazo.
Afinal, como já expliquei em outro artigo, criar filhos para a independência não significa que eles não precisarão mais de seus pais, mas sim, que estarão aptos para decidir e escolher livremente como viverão suas vidas e terão capacidade para realizar tarefas por conta própria.
Pais e mães protetores: como identificar
Pais e mães superprotetores, assim como todos os outros, buscam oferecer uma vida repleta de felicidade e realizações para os seus filhos.
Porém, a diferença está em como esse caminho é traçado. Pais superprotetores, comumente, aliviam a todo tempo, questões problemáticas e até se dispõe a resolver os problemas no lugar dos seus filhos.
Essa tendência de superproteger e até mesmo manipular os filhos se demonstra de diversas maneiras.
Existem os pais superprotetores que são excessivamente cautelosos, ou seja, procuram evitar que seu filho sofra com experiências que possam resultar em algum tipo de ferimento, queda ou até mesmo decepções. Para proteger a criança, o pai e a mãe acabam impedindo que ele experiencie novas ferramentas e se desafie.
Também existem os pais que tomam as decisões em nome de seus filhos, sem nem ao menos dialogar e explicar as situações para eles. É claro que existem certas situações em que é papel do pai e da mãe tomar as decisões para garantir que tudo ocorra da maneira planejada. Porém, é preciso tomar cuidado para não ultrapassar os limites e esquecer que o diálogo é a ferramenta mais eficaz para chegar em uma solução benéfica para todas as partes.
Portanto, controlar escolhas, impedir que os filhos se desafiem e até mesmo traçar planos para a vida de uma criança são elementos que podem caracterizar pais e mães protetores.
Importante destacar que as intenções de pais superprotetores são boas e objetivam o pleno desenvolvimento da criança, mas que, em demasia, podem acarretar inúmeras consequências negativas e nocivas para a vida do indivíduo. Continue a leitra para descobrir três consequências da superproteção aos filhos.
Consequência # 1 – Problemas emocionais
Gerenciar as emoções é um grande desafio para crianças superprotegidas, afinal, seus pais foram responsáveis pela tomada de decisões ao longo de toda sua vida, evitando que decepções e desapontamentos fizessem parte dessa caminhada.
Ao longo da vida, é inevitável lidar com frustrações, erros, decepções e até mesmo se enganar com situações e pessoas.
A falta de habilidades de regulação emocional é um grande problema, que pode ocasionar o desenvolvimento de comportamentos relacionados à ansiedade infantil – podendo evoluir para um quadro ao longo da vida.
De acordo com um estudo realizado em 2013, a superproteção não está diretamente relacionada ao desenvolvimento de um quadro de ansiedade, mas sim, ao comportamento específico de quem sofre com a condição.
Porém, de acordo com os pesquisadores, a situação pode ser revertida a partir do trabalho para mudanças comportamentais da criança, muitas vezes consequência da superproteção.
Outro estudo de caso analisou a relação de mães de 90 crianças, sendo 60 delas clinicamente ansiosas e 30 não diagnosticadas com a condição.
De acordo com os pesquisadores, as medidas de superproteção dos pais em seus filhos estão relacionadas intimamente ao grau de ansiedade sentido pelos próprios pais em relação a diversas situações cotidianas.
Outra pesquisa analisou as relações familiares e o desempenho de jovens universitários. Os resultados encontraram níveis significativamente mais elevados de depressão e menos satisfação com a vida em alunos que relataram ter pais supercontroladores.
Consequência #2 – Problemas de saúde
Por serem superprotegidas, as crianças acabam não aprendendo a cuidar de si mesmas e também não entendem quais os fatores que podem lhe causar mal, por exemplo.
Por conta disso, de acordo com um estudo da Florida State University, crianças superprotegidas possuem maior propensão a desenvolverem problemas de saúde na vida adulta. Afinal, não possuem uma rotina própria de sono, exercícios e alimentação, por conta da superproteção.
Esse problema pode se tornar nocivo a longo prazo, porque a falta de cuidado consigo mesmo irá acarretar inúmeras dificuldades e situações com as quais o indivíduo não saberá lidar.
Outro aspecto que pode ser abordado é a falta de exposição da criança superprotegida a fatores externos, como sujeira, animais e até mesmo o contato com a natureza.
Essa ausência de contato, pode acarretar deficiências para o sistema imunológico do indivíduo e a incapacidade do seu corpo de criar defesas para agressores externos, como bactérias e infecções.
Em um estudo, foi analisada a relação de superproteção na infância com o desenvolvimento de doença inflamatória intestinal. De acordo com os resultados, a superproteção ou a falta de cuidado com a criança podem auxiliar no desenvolvimento da condição ao longo da vida adulta.
Consequência #3 – Problemas de comportamento
Um grande problema da superproteção paterna é o de criar filhos arrogantes e com falta de sensibilidade e empatia, principalmente quando precisam enfrentar realidades que diferem da sua.
Situações como bullying e até mesmo a incapacidade de compreender o seu lugar de fala são algumas das consequências da superproteção.
Afinal, o grande papel dos pais está em educar os seus filhos para que convivam de maneira plena e responsável com as outras pessoas ao seu redor.
Ensinar sobre empatia, compreensão e diálogo faz parte do que gosto de chamar de educação familiar.
Em meu Instagram, recentemente realizei uma postagem a respeito do papel dos pais na educação de seus filhos e sobre a importância da educação dentro de casa.
Finalizo com a frase: “não é a escola que ensina bons modos”. Ou seja, o trabalho de educar, ensinar e moldar a criança para a construção de um mundo melhor, é todo seu!