Icterícia Neonatal: o que é e quais os cuidados
De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria, a icterícia neonatal é o quadro clínico determinado pelo aumento do nível sérico de bilirrubina.
Sua principal apresentação é a tonalidade amarelada da pele e mucosas do recém-nascido.
Ela é popularmente conhecida como “amarelão do recém-nascido” e acontece em cerca de 60% dos recém-nascidos e em 80% dos prematuros.
As estatísticas também apontam que a condição pode ocorrer em até 10% dos bebês em aleitamento materno.
Segundo o livro Cuidado Integral do Recém-Nascido – Prevenção e Condutas Terapêuticas, a icterícia neonatal é uma das manifestações clínicas mais frequentes do período, na grande maioria dos casos, são casos leves que demandam somente observação doméstica.
Porém, níveis muito elevados de bilirrubina podem levar a um quadro mais grave determinado pela impregnação dela no sistema nervoso central dos bebês.
Na grande maioria dos pequenos pacientes, a aparição da icterícia pode ser considerada fisiológica, sendo determinada por uma imaturidade do metabolismo hepático do recém-nascido.
A causa mais frequente de icterícia neonatal patológica é a incompatibilidade sanguínea entre a mãe e o bebê.
Entenda, ao longo deste artigo, as suas particularidades e como tratar de maneira eficaz a condição.
Importante ressaltar que, em todos os casos, a conduta precisa ser estipulada por um médico pediatra.
Icterícia neonatal fisiológica: como identificá-la e reduzir os sintomas
Como citado anteriormente, a icterícia neonatal se apresenta em mais da metade dos recém-nascidos.
Ou seja, a sua característica fisiológica está altamente ligada à falta de maturidade do metabolismo hepático.
Outro ponto que pode aumentar a hiperbilirrubinemia, nome dado à pigmentação amarelada da pele do recém-nascido, é o jejum.
Bebês que não se alimentam em níveis adequados tendem a produzir menos fezes e também possuem baixas contagens de bactérias intestinais responsáveis pela conversão da bilirrubina para garantir o pleno funcionamento do organismo e a coloração normal da pele da criança.
Para auxiliar os pais a perceberem a presença de icterícia no recém-nascido, é orientada a observação da esclera (a parte branca dos olhos), normalmente o primeiro lugar a aparecer a coloração e o último a desaparecer.
Também é importante observar a área facial e tronco do bebê. A sensação de coloração amarelada abaixo da virilha dos bebês é um sinal de alerta, sendo importante a avaliação por um pediatra o mais breve possível.
Em caso de dúvida sobre a coloração da pele, é possível pressionar levemente com o dedo para então realizar a comparação de cores. É fundamental que essa observação ocorra em um ambiente bem iluminado, preferencialmente pela luz solar.
Casos de icterícia leve não exigem nenhum tratamento específico, mesmo assim, é indispensável que o pediatra seja consultado para determinar a necessidade ou não de coleta de sangue para a análise dos níveis de bilirrubina.
Casos patológicos precisam de tratamento especializado para que a condição seja contida e tratada.
O leite materno pode provocar icterícia neonatal?
Dados da Sociedade Brasileira de Pediatria apontam que bebês alimentados através do aleitamento materno possuem maiores chances de desenvolver a icterícia fisiológica, quando comparados a bebês que são alimentados através de mamadeiras.
Os primeiros sinais desse tipo de icterícia aparecem, geralmente, entre o 2º e 4º dias de vida do recém-nascido, atingindo um pico mais elevado até o 5º dia, até desaparecer na terceira semana de vida.
Ainda não está esclarecido o motivo pelo qual a icterícia possui maior probabilidade de apresentação em bebês que são amamentados pelo seio materno. Porém, a condição se apresenta em bebês saudáveis e, por conta disso, é sempre recomendado o descarte de outras doenças através de exames orientados pelo pediatra.
Orientações de pausa ou interrupção da amamentação para o diagnóstico e tratamento da icterícia não são recomendados, afinal, o aleitamento materno não pode ser comprometido, principalmente durante a fase inicial da vida da criança.
Além disso, o surgimento da condição dificilmente acarretará condições mais graves.
Contudo, o desenvolvimento da condição ou mudanças observadas pelos pais deve ser repassado ao pediatra para um olhar clínico sobre a situação.
Icterícia neonatal patológica: entenda o que observar
Como citado ao longo deste artigo, a icterícia fisiológica pode atingir até 60% dos recém-nascidos em tempo normal de gestação.
Porém, a condição pode desenvolver-se para uma situação patológica quando surge precocemente e se estende além dos trinta dias de vida.
Neste momento, o primeiro passo é a procura do pediatra, para que o bebê seja encaminhado para os exames necessários e o tratamento adequado, seja indicado.
As icterícias patológicas são classificadas por níveis elevados de bilirrubina no organismo, que podem levar à sua impregnação no sistema nervoso central.
Existem cinco sinais principais de alerta para a icterícia, são eles:
Incompatibilidade sanguínea: a incompatibilidade RH entre o sangue da mãe e do bebê podem gerar um quadro de bilirrubinemia e anemia severa ao nascimento, sendo mais comuns a partir da segunda gestação. É fundamental a realização da medicação apropriada para a mãe nas primeiras 48 horas após o primeiro parto para a prevenção.
Aleitamento materno inadequado: esse fator pode estar ligado a icterícia por aleitamento materno, citada neste artigo. Os sintomas podem surgir na primeira semana de vida e permanecer até três meses.
Genética: descendência asiática ou até mesmo irmãos mais velhos com incidência de icterícia neonatal podem desencadear a condição. Filhos de mães diabéticas também estão mais propensos ao desenvolvimento de icterícia neonatal.
Atrasos no crescimento e desenvolvimento (Hipotireoidismo): a deficiência de produção hormonal pela tireoide pode ocasionar o desenvolvimento dessa patologia.
Lesão cerebral: diminuição do tônus muscular (hipotonia), convulsões e dificuldade para sugar o leite, podem ser sinais de lesão no cérebro. Essas condições podem progredir ao longo dos primeiros 4 dias de vida, causando parada respiratória e morte.
Em caso de suspeita, fale com o médico pediatra.