10/08/2021

Depressão na infância: como entender os sintomas e lidar com eles

Depressão na infância: como entender os sintomas e lidar com eles

A depressão na infância existe e, ao contrário do que pensávamos anos atrás sobre a situação, é preciso que os pais entendam os sintomas e saibam lidar com cada situação de maneira compreensiva, atenta e acolhedora.

Para que isso aconteça, é necessário compreender de que maneira os sintomas de depressão, ansiedade e outras crises emocionais se manifestam em crianças e adolescentes.

Uma pesquisa realizada pela Universidade de São Paulo (USP), no ano de 2020, investigou a saúde mental de crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos. Foram analisadas 7 mil crianças e identificados sintomas de ansiedade ou depressão em 27% das participantes.

Este cenário foi agravado com o surgimento da pandemia de Covid-19, porém, a situação ocorre em inúmeros casos por conta de fatores que se sobressaem ao isolamento social causado pelo vírus.

Fatores como tecnologia, bullying, dificuldades na escola, em casa e com os amigos, entre outros, vão ser explicados ao longo deste artigo. Continue a leitura.

Depressão e ansiedade na infância: como identificar

Crianças e adolescentes estão em fase de crescimento constante.

Somente o fato de enfrentar diariamente novos desafios, novas descobertas e novas preferências pode acarretar sentimentos confusos e complicados de superar de maneira individual.

Nesse sentido, a rede de apoio composta pelos familiares e, principalmente pelo pais, é essencial para garantir segurança e acolhimento a criança e ao adolescente que estão descobrindo mais sobre a vida todos os dias.

Mesmo que seja comum que crianças e adolescentes se entristeçam, sintam-se confusos ou até mesmo queiram ficar sozinhos, temos que nos atentar quando esse comportamento possa significar a presença de algum tipo de crise emocional.

Por conta disso, é preciso que os pais fiquem atentos às atitudes de seus filhos, para poder identificar quando a situação poderá ser resolvida com uma conversa ou precisará do auxílio de um profissional especializado em saúde mental.

Importante ressaltar que os sintomas de depressão e ansiedade variam, porém, fique de olho nos sintomas listados abaixo para entender quando o seu filho precisa de mais ajuda do que você pode dar em casa.

Depressão e ansiedade na infância: conheça os sintomas

Além de proporcionar um ambiente acolhedor, compreensivo e seguro para a criança ou adolescente com depressão na infância, é necessário que os pais conheçam os sintomas que caracterizam essa condição. São eles:

  • Irritação ou raiva;
  • Sentimentos contínuos de tristeza e desesperança;
  • Retraimento e isolamento social.
  • Sensibilidade à rejeição.
  • Mudanças no apetite, aumentadas ou diminuídas.
  • Insônia ou sono excessivo.
  • Explosões vocais ou choro descontrolado.
  • Dificuldade de concentração.
  • Fadiga e baixa energia.
  • Dores de estômago e de cabeça que não são solucionadas com medicamentos.
  • Problemas durante eventos e atividades sociais.
  • Sentimentos de inutilidade ou culpa.
  • Pensamento ou concentração prejudicados.
  • Pensamentos de morte ou suicídio.

Por serem, muitas vezes, sintomas considerados comuns da fase da infância, pré-adolescência e adolescência, torna-se complicado diagnosticar e tratar de maneira adequada a condição. 

Ou até mesmo, é possível encontrar alguma resistência dos pais em compreender e aceitar a condição de seu filho e respeitar a sua necessidade de ajuda psicológica para tratar a depressão e a ansiedade.

Dentro deste contexto, a estrutura familiar novamente se encontra em primeiro lugar quando falamos sobre a identificação precoce de sinais ou sintomas sugestivos de alteração da saúde mental da criança ou adolescente, tendo o pediatra papel fundamental no diagnóstico e encaminhamento precoce para tratamento com um profissional especializado da área. 

Depressão e ansiedade na infância: quais são as causas

Embora seja desconhecida a prevalência da depressão em crianças e adolescentes brasileiros, a doença já é considerada um problema de saúde pública, segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

Ainda de acordo com a SBP, a consumação de suicídios sofreu aumento na adolescência e ocorrem em idade cada vez mais precoce.

Considerando este cenário, a grande pergunta é: quais são as causas?

Durante o período da adolescência, principalmente, o jovem opta pelo isolamento social, sentindo-se mais confortável em seu quarto, sem precisar interagir com outras pessoas o tempo todo.

Porém, como citei anteriormente, mesmo sendo uma atitude comum dessa faixa etária, é necessário que os pais estejam atentos para perceber quando esse isolamento social passa da normalidade, gerando algum tipo de sofrimento para o adolescente.

Assim como em adultos, a depressão na infância e na adolescência pode estar relacionada à saúde física, relacionamentos, família, meio ambiente, probabilidade genética ou até mesmo causada pela utilização de substâncias ilícitas.

Não é possível prever a incidência de depressão e ansiedade em um jovem, porém, é possível oferecer uma estrutura familiar segura e confiável fator primordial na prevenção dos distúrbios da saúde mental.

Além da rede de apoio familiar, o pediatra também desempenha papel fundamental na investigação e análise de quadros comportamentais e emocionais da criança ou adolescente.

Depressão e ansiedade na infância: o que fazer

É muito importante não se desesperar e não ter vergonha de procurar ajuda profissional.

Afinal, como diz o provérbio africano, é preciso de uma aldeia inteira para educar uma criança.

Ou seja, são necessários seus pais, seus familiares, seus amigos, seus professores, seu pediatra e também, se necessário, um profissional de saúde especializado em saúde mental.

Ao identificar a persistência de algum dos sinais ou sintomas citados acima, é imprescindível buscar auxílio , para que o trauma, a crise ou até mesmo o sentimento possa ser avaliado e tratado de maneira adequada.

Isso não quer dizer que os pais não possam ajudar seus filhos, mas que cada palavra e atitude desempenhada neste momento precisa ser feita com cautela e orientação.

Um estudo, liderado pelo Dr. William Coperland, Ph.D e professor de psiquiatria da Universidade de Vermont (EUA), publicado em 2020 no Jornal da Academia Americana de Psiquiatria Infantil e Adolescente , encontrou evidências de que a saúde e desempenho do indivíduo na vida adulta pode ser fortemente influenciada pela depressão na infância e adolescência.

Dados do estudo apontam que crianças que receberam atendimento e tratamento precoce especializado em saúde mental, possuem menor probabilidade da piora dos problemas de saúde mental na vida adulta.

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