A importância do brincar para o desenvolvimento infantil
A importância do brincar para o desenvolvimento infantil
A importância do brincar na vida de uma criança ultrapassa barreiras. É possível considerar o brincar como um dos aspectos mais importantes da vida de uma criança.
É através da brincadeira que a criança desenvolve o seu pensamento criativo e realiza as primeiras interações sociais de maneira autêntica.
Segundo o pensador italiano, Francisco Tonucci: “todos os aprendizados mais importantes da vida são feitos brincando”.
Para ele, o grande objetivo da educação escolar e familiar é o encaminhamento para que a criança descubra sua personalidade, entenda as suas preferências e construa a sua identidade. E tudo isso é realizado através do brincar.
Porém, aqui não me refiro aos joguinhos de celular e computador. Muito pelo contrário: brincadeiras ao ar livre, jogos de tabuleiro, jogos de concentração e até mesmo a invenção de novos jogos para se divertir em família.
O conceito de puericultura, com o qual trabalho, especifica que é tarefa dos indivíduos envolvidos na vida da criança, assegurar o perfeito desenvolvimento físico e mental da criança, desde o período de gestação, passando pela puberdade até a vida adulta.
Esse trabalho é realizado através do oferecimento de um ambiente familiar seguro, confortável e que respeita as necessidades da criança em cada faixa etária de sua vida.
Ao longo deste artigo, abordarei algumas técnicas específicas para cada faixa etária do desenvolvimento infantil, auxiliando os pais e demais familiares a brincar com suas crianças em casa.
Desenvolvimento infantil e puericultura: qual a importância do brincar para as crianças
Sem dúvidas, a tecnologia faz parte da nossa rotina e está presente em muitos momentos familiares, principalmente por conta das restrições associadas ao distanciamento social impostas pela pandemia de Covid-19.
Porém, cada vez mais, ressalta-se a importância de desenvolver atividades que estimulem o trabalho manual, cognitivo e social, principalmente para as crianças, que enxergam o ambiente de casa como o principal ambiente de suas vidas no momento.
Uma ampla pesquisa realizada pelo Jornal Americano de Pediatria indica a brincadeira como um método de envolvimento da criança com o mundo externo e as pessoas ao seu redor, além de estimular fortemente a criatividade e facilitar o desenvolvimento das habilidades competentes a cada faixa etária.
Junto a utilização da brincadeira como estímulo de aprendizado, está o oferecimento de um ambiente de aprendizagem seguro, estável e estimulante, não penas pelos professores, mas também pelos pais, dentro de casa.
Além disso, de acordo com os pesquisadores, brincar oferece oportunidades para as crianças, mas também para os adultos, oferecendo mecanismos para o desenvolvimento de habilidades motoras, socioemocionais, de linguagem, funcionamento executivo, matemática e autorregulação.
Todas essas habilidades podem auxiliar os adultos a se adaptar a um mundo que, cada vez exige mais de sua capacidade.
Outro ponto importante é a oportunidade de desenvolver comportamentos para o ambiente de casa e escolar, porque ao brincar, a criança entende que existem regras, possibilidades e também limites para o que pode ser feito.
Brincadeiras ideais: primeira infância (0 a 3 anos)
Brincar com crianças pequenas pode parecer um desafio, mas esse processo pode ser mais fácil do que você imagina, afinal, nesse estágio, as crianças estão interessadas no que elas enxergam: você.
Para os bebês, o sorriso pode ser uma grande ferramenta de brincadeira, seja para fazer o outro sorrir ou vice-versa.
Eles também costumam gostar de coisas coloridas, que fazem barulho e possuem texturas diferentes.
Não é necessário comprar brinquedos caros e populares, mas sim, utilizar aquilo que temos em casa, para ele conhecer o ambiente onde vive.
Além disso, conversar e cantar com seu bebê também faz parte do que chamamos de brincadeira, afinal, dessa forma você começa a estimular a sua linguagem de maneira divertida e carinhosa.
Brincadeiras ideais: segunda infância (3 a 6 anos)
Assim como durante a primeira infância, as crianças de 3 a 6 anos brincam para descobrir, conhecer e entender o mundo ao seu redor.
Promover a brincadeira, transmitir afeto e se comunicar com seu filho e filha é a melhor coisa que eles podem receber de seus pais. É neste momento que acontece o incentivo para o desenvolvimento em casa.
A Sociedade Brasileira de Pediatria em parceria com a Fundação Marília Cecilia Souto Vidigal, pensando em auxiliar os pais principalmente em tempos onde o isolamento social se faz necessário, criou um Guia de Atividades e Brincadeiras co crianças do nascimento aos 6 anos.
Neste guia, são citadas algumas habilidades que podem ser desenvolvidas em casa, entre pais e filhos para que a criança se desenvolva de maneira plena e saudável, seguindo os princípios de puericultura.
Com a brincadeira, por exemplo, é possível dar nome aos sentimentos e entender os sentimentos do outro, promover a gentileza, empatia e trabalho em equipe, criar gosto pelo aprendizado, promover empoderamento e autonomia, possibilitar a criatividade e também o encaminhamento para a resolução de problemas de maneira independente.
Importante ressaltar que é preciso definir certas regras e limites para garantir a segurança da criança, mas que essas estipulações não podem reduzir a capacidade criativa que será desenvolvida pelo indivíduo ao longo da brincadeira.
As brincadeiras podem se concentrar em exploração dos espaços da casa, brincadeiras com utensílios de arte, atividades teatrais com criação de histórias e personagens, entre outras.
Para os maiores, podem ser incentivadas atividades como pega-pega, esconde-esconde, e até mesmo quebra-cabeças para momentos que não permitem espaço amplo para corridas.
Brincadeiras ideais: terceira infância (6 a 11 anos)
Desde o início, brincadeiras que utilizam tecnologia precisam ser utilizadas moderadamente e sempre com a supervisão dos pais. Essa questão já foi abordada em meu blog e pode ser acessada aqui.
Por conta disso, o incentivo de brincadeiras ao ar livre e que envolvam a sua independência (caminhar, correr, pular) são essenciais.
De acordo com um estudo da Associação Internacional de Psicologia Aplicada de Agosto de 2011, brincadeiras ao ar livre podem auxiliar no desenvolvimento de crianças diagnosticadas com TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade), assim como pode auxiliar no desenvolvimento de todas as crianças.
Afinal, a brincadeira é parte integrante de seu desenvolvimento.
Jogos que estimulem o sistema cognitivo, de memória e de coordenação são uma ótima opção para essa faixa etária.
Brincadeiras ideais: adolescência (11 a 18 anos)
Mesmo que essa seja uma idade na qual a brincadeira ocorra com menos intensidade, ainda é preciso incentivá-la de maneiras mais sutis, como em formato de passeios, piqueniques em família ou até mesmo jogos de cartas e tabuleiros em casa.
Cada vez mais, as crianças querem se tornar adultas de maneira precoce, o que desencadeia inúmeros problemas de desenvolvimento.
É claro que é importante educar a sua criança para a independência, afinal, o nosso grande objetivo como pais é o desenvolvimento pleno e saudável da criança para um adulto (falo mais sobre o assunto aqui).
Porém, faz parte desse processo a garantia de um ambiente adequado, seguro e confortável para esse desenvolvimento. E é claro que a brincadeira faz parte disso.
O ato de brincar, além de auxiliar as crianças, também pode ser um momento que os adultos encontram para relaxar e aproveitar com seus filhos.
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