Depressão na infância: como entender os sintomas e lidar com eles
Depressão na infância: como entender os sintomas e lidar com eles
A depressão na infância existe e, ao contrário do que pensávamos anos atrás sobre a situação, é preciso que os pais entendam os sintomas e saibam lidar com cada situação de maneira compreensiva, atenta e acolhedora.
Para que isso aconteça, é necessário compreender de que maneira os sintomas de depressão, ansiedade e outras crises emocionais se manifestam em crianças e adolescentes.
Uma pesquisa realizada pela Universidade de São Paulo (USP), no ano de 2020, investigou a saúde mental de crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos. Foram analisadas 7 mil crianças e identificados sintomas de ansiedade ou depressão em 27% das participantes.
Este cenário foi agravado com o surgimento da pandemia de Covid-19, porém, a situação ocorre em inúmeros casos por conta de fatores que se sobressaem ao isolamento social causado pelo vírus.
Fatores como tecnologia, bullying, dificuldades na escola, em casa e com os amigos, entre outros, vão ser explicados ao longo deste artigo. Continue a leitura.
Depressão e ansiedade na infância: como identificar
Crianças e adolescentes estão em fase de crescimento constante.
Somente o fato de enfrentar diariamente novos desafios, novas descobertas e novas preferências pode acarretar sentimentos confusos e complicados de superar de maneira individual.
Nesse sentido, a rede de apoio composta pelos familiares e, principalmente pelo pais, é essencial para garantir segurança e acolhimento a criança e ao adolescente que estão descobrindo mais sobre a vida todos os dias.
Mesmo que seja comum que crianças e adolescentes se entristeçam, sintam-se confusos ou até mesmo queiram ficar sozinhos, temos que nos atentar quando esse comportamento possa significar a presença de algum tipo de crise emocional.
Por conta disso, é preciso que os pais fiquem atentos às atitudes de seus filhos, para poder identificar quando a situação poderá ser resolvida com uma conversa ou precisará do auxílio de um profissional especializado em saúde mental.
Importante ressaltar que os sintomas de depressão e ansiedade variam, porém, fique de olho nos sintomas listados abaixo para entender quando o seu filho precisa de mais ajuda do que você pode dar em casa.
Depressão e ansiedade na infância: conheça os sintomas
Além de proporcionar um ambiente acolhedor, compreensivo e seguro para a criança ou adolescente com depressão na infância, é necessário que os pais conheçam os sintomas que caracterizam essa condição. São eles:
- Irritação ou raiva;
- Sentimentos contínuos de tristeza e desesperança;
- Retraimento e isolamento social.
- Sensibilidade à rejeição.
- Mudanças no apetite, aumentadas ou diminuídas.
- Insônia ou sono excessivo.
- Explosões vocais ou choro descontrolado.
- Dificuldade de concentração.
- Fadiga e baixa energia.
- Dores de estômago e de cabeça que não são solucionadas com medicamentos.
- Problemas durante eventos e atividades sociais.
- Sentimentos de inutilidade ou culpa.
- Pensamento ou concentração prejudicados.
- Pensamentos de morte ou suicídio.
Por serem, muitas vezes, sintomas considerados comuns da fase da infância, pré-adolescência e adolescência, torna-se complicado diagnosticar e tratar de maneira adequada a condição.
Ou até mesmo, é possível encontrar alguma resistência dos pais em compreender e aceitar a condição de seu filho e respeitar a sua necessidade de ajuda psicológica para tratar a depressão e a ansiedade.
Dentro deste contexto, a estrutura familiar novamente se encontra em primeiro lugar quando falamos sobre a identificação precoce de sinais ou sintomas sugestivos de alteração da saúde mental da criança ou adolescente, tendo o pediatra papel fundamental no diagnóstico e encaminhamento precoce para tratamento com um profissional especializado da área.
Depressão e ansiedade na infância: quais são as causas
Embora seja desconhecida a prevalência da depressão em crianças e adolescentes brasileiros, a doença já é considerada um problema de saúde pública, segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).
Ainda de acordo com a SBP, a consumação de suicídios sofreu aumento na adolescência e ocorrem em idade cada vez mais precoce.
Considerando este cenário, a grande pergunta é: quais são as causas?
Durante o período da adolescência, principalmente, o jovem opta pelo isolamento social, sentindo-se mais confortável em seu quarto, sem precisar interagir com outras pessoas o tempo todo.
Porém, como citei anteriormente, mesmo sendo uma atitude comum dessa faixa etária, é necessário que os pais estejam atentos para perceber quando esse isolamento social passa da normalidade, gerando algum tipo de sofrimento para o adolescente.
Assim como em adultos, a depressão na infância e na adolescência pode estar relacionada à saúde física, relacionamentos, família, meio ambiente, probabilidade genética ou até mesmo causada pela utilização de substâncias ilícitas.
Não é possível prever a incidência de depressão e ansiedade em um jovem, porém, é possível oferecer uma estrutura familiar segura e confiável fator primordial na prevenção dos distúrbios da saúde mental.
Além da rede de apoio familiar, o pediatra também desempenha papel fundamental na investigação e análise de quadros comportamentais e emocionais da criança ou adolescente.
Depressão e ansiedade na infância: o que fazer
É muito importante não se desesperar e não ter vergonha de procurar ajuda profissional.
Afinal, como diz o provérbio africano, é preciso de uma aldeia inteira para educar uma criança.
Ou seja, são necessários seus pais, seus familiares, seus amigos, seus professores, seu pediatra e também, se necessário, um profissional de saúde especializado em saúde mental.
Ao identificar a persistência de algum dos sinais ou sintomas citados acima, é imprescindível buscar auxílio , para que o trauma, a crise ou até mesmo o sentimento possa ser avaliado e tratado de maneira adequada.
Isso não quer dizer que os pais não possam ajudar seus filhos, mas que cada palavra e atitude desempenhada neste momento precisa ser feita com cautela e orientação.
Um estudo, liderado pelo Dr. William Coperland, Ph.D e professor de psiquiatria da Universidade de Vermont (EUA), publicado em 2020 no Jornal da Academia Americana de Psiquiatria Infantil e Adolescente , encontrou evidências de que a saúde e desempenho do indivíduo na vida adulta pode ser fortemente influenciada pela depressão na infância e adolescência.
Dados do estudo apontam que crianças que receberam atendimento e tratamento precoce especializado em saúde mental, possuem menor probabilidade da piora dos problemas de saúde mental na vida adulta.