Quais os riscos do uso excessivo do pronto-atendimento?
Situações como febre, tosse, diarreia, vômito e acidentes fazem parte da infância. No entanto, muitas vezes, tais condições fazem com que as famílias busquem o pronto-atendimento mais próximo para a consulta com um médico.
Entretanto, será que tal atitude é realmente necessária? Em quais casos o pronto-atendimento se torna realmente efetivo?
Continue a leitura para compreender mais a respeito do assunto.
Quais os contras de levar a criança a uma unidade de saúde 24h?
Dados da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) demonstram que 75% das visitas a pronto-atendimentos são desnecessárias.
E qual o problema disso?
O nível de exposição desnecessária a doenças potencialmente mais graves a qual a criança e sua família estão e, além disso, a consulta com um médico que, na maior parte dos casos, não possui conhecimento a respeito do histórico de saúde do pequeno paciente.
Antes de adentrarmos no assunto, vamos começar pela compreensão sobre o motivo que faz os pais levarem suas crianças ao pronto-atendimento: a facilidade de um espaço que garante atendimento e a resolução de problemas durante 24 horas por dia.
É devido a essa sensação de uma solução imediata que muitas famílias optam por levar a criança ao pronto-atendimento.
Entretanto, optar pela praticidade de um atendimento 24h, ao invés do agendamento de uma consulta pediátrica, pode acarretar efeitos nocivos para a saúde da criança.
A razão disso?
É comum que as famílias tenham o costume de buscar o pronto-socorro após a manifestação de qualquer tipo de sintoma, inclusive resfriados leves, gripes, diarreias e outros casos que não apresentam riscos e, na maioria das vezes, necessitam de repouso e ingestão de líquidos.
Em um pronto-socorro, encontramos muitas pessoas reunidas em um só lugar, e elas estão ali porque estão doentes. Sendo assim, existe um grande risco das crianças contraírem uma doença infectocontagiosa, principalmente por já estarem com a imunidade reduzida.
Além disso, por exigir uma solução imediata, o médico do pronto-atendimento não consegue conhecer o histórico da criança, nem mesmo suas particularidades – que são amplamente compreendidas por seu pediatra.
Considerando esse cenário e de acordo com a própria SBP, os familiares devem entrar em contato com seu pediatra antes da tomada de decisões que envolvam a saúde da criança.
Essa conduta é apropriada para diversos casos. Compreenda ao continuar a leitura.
Afinal, quando é necessário levar a criança ao pronto-atendimento?
Conforme demonstrei até aqui, levar a criança ao pronto-atendimento pode ser, muitas vezes, desnecessário e até mesmo perigoso.
Por conta disso, é importante que a família sempre entre em contato com o pediatra diante de uma emergência, para que o médico consiga avaliar a condição, bem como o tratamento adequado.
Se o seu filho estiver com sintomas febris, alérgicos ou que exigem a opinião médica, porém não são graves, o ideal é monitorar os sintomas e, caso ocorra o agravo do quadro, entrar em contato com o pediatra.
Contudo, acontecimentos que exigem muita urgência, como acidentes, falta de ar, crise convulsiva e vômitos incoercíveis, que são aqueles que não se conseguem controlar com as medidas habituais, necessitam de atendimento imediato.
Algumas situações que podem exigir uma visita ao pronto-atendimento são:
- Febre com duração superior a 48 horas, ou antes desse prazo se acompanhada de prostração nos períodos sem febre.
- Diarreia abundante e frequente principalmente quando acompanhada de vômitos incoercíveis, quadro que pode levar à desidratação aguda, percebida através de lábios e língua seca, diminuição e escurecimento da urina e olhos fundos;
- Problemas na respiração, como por exemplo quando a criança se cansa facilmente, fica ofegante ou possui fadiga excessiva;
- Alergia, através do surgimento de manchas e coceira, que levam à dificuldade para respirar;
- Ferimentos cortantes e quedas acompanhadas de perda de consciência;
- Intoxicação exógena.
Importante ressaltar que mesmo que a criança seja levada ao pronto-atendimento, é necessário e essencial o acompanhamento pediátrico após essa visita.