Saúde emocional dos filhos: quais os fatores a influenciam?
Saúde emocional dos filhos: quais os fatores a influenciam?
A saúde emocional dos filhos é influenciada por uma série de fatores relacionados ao ensino escolar, às relações sociais e, principalmente, às relações familiares.
Como sempre digo aos pais dos meus pequenos pacientes, a saúde emocional dos responsáveis influencia diretamente nesse desenvolvimento, visto que são eles são os primeiros a fazer parte da rotina da criança.
Neste artigo, debato a importância da educação familiar para o desenvolvimento de crianças saudáveis.
O comportamento das crianças e adolescentes reflete seu relacionamento parental
Em meu Instagram, inúmeras postagens são dedicadas à importância da educação familiar para que a criança ou adolescente desenvolva-se plenamente e com saúde. Inclusive, o primeiro artigo do blog evidenciou a importância da prática dos ensinamentos da puericultura para promover a saúde e o desenvolvimento da criança para que se torne um adulto saudável e feliz.
Como afirma a Sociedade Brasileira de Pediatria, crianças até os três anos de idade possuem uma forte ligação mental com seus pais. Essa ligação pode afetar o sono, a alimentação e até mesmo o comportamento dos filhos, sem falar sobre a conexão entre doenças físicas e psicológicas com questões emocionais dentro do âmbito familiar.
“Quem somos e a maneira como nos relacionamos com o mundo são indicadores muito mais seguros de como nossos filhos serão do que tudo o que sabemos sobre criar filhos”. – Brene Brown.
O relacionamento parental define, por exemplo, como as crianças irão se comportar na escola, em contato com pessoas da família ou de fora dela.
A escola possui um papel importante e indispensável na vida de uma criança, porém não substitui o aprendizado dentro de casa. Questões éticas, socialização, convivência e competências da criança são tópicos de educação relacionados aos pais ou responsáveis pelos pequenos.
Também é importante destacar o papel do pediatra na facilitação do entendimento dos pais a respeito de comportamentos peculiares ou que necessitam de ajuda externa, como a de um psicólogo ou psiquiatra.
Como afirma Jacques Crespin, ao longo dos anos o pediatra se transformará em um amigo e conselheiro e será solicitado a opinar sobre todos os infindáveis problemas que possam surgir e que afetem a dinâmica familiar, sejam físicos, sejam emocionais.
Além disso, o pediatra será muitas vezes conselheiro matrimonial, tentando harmonizar, em benefício da criança, as desavenças do casal.
Educação familiar: acompanhamento pediátrico é essencial
A saúde emocional dos filhos pode ser avaliada pelos pais, através de atitudes, perguntas, ações e da rotina.
É fundamental atentar-se ao que ocorre nessa fase de mudanças comportamentais e procurar saber os problemas que seus filhos estão enfrentando.
Dessa forma, é necessário saber distinguir o que deve ser ignorado e o que merece a nossa atenção. Afinal, colocar determinados comportamentos de lado pode transformar um pequeno conflito em algo mais grave, trazendo sequelas para a vida adulta.
Os mimos, agrados e brincadeiras devem ser limitados ao mínimo necessário para estimular o desenvolvimento psicológico da criança.
Estímulos psicológicos excessivos têm consequências danosas: a criança fica excitada e nervosa, acostuma-se ao regime de excesso de estímulos que necessitam ser cada vez mais intensos e frequentes para satisfazê-la; em breve, pelo cansaço dos pais, ela começa a ser privada de carinhos exatamente quando está acostumada a recebê-los em abundância, o que é causa de sofrimento.
Os desvios de conduta se manifestam de várias formas e em vários setores: na alimentação (inapetência ou apetite excessivo, vômitos); na perturbação dos esfíncteres (enurese, encoprese), através de nervosismo e transtornos motores (hiperatividade, tiques, sucção do polegar); perturbação da linguagem (atraso, dislalia, gaguejamento); nas dificuldades escolares; na conduta anti social.
Nesse momento, o acompanhamento pediátrico torna-se ainda mais importante e indispensável, porque é com o auxílio do profissional que os pais compreenderão quais as condutas que devem ser tomadas para garantir a formação de um indivíduo plenamente saudável.
Importante destacar que a educação familiar, dentro de um ambiente seguro, confortável e acolhedor, contribui para que a saúde física e psicológica dos filhos mantenha-se equilibrada e livre de distúrbios.
Encontrar atividades em família, ter tempo para ouvir os pequenos, para ensinar e compartilhar, são atitudes que contribuem para uma boa saúde emocional de todos os integrantes da casa.
Referências:
Puericultura: ciência, arte e amor – Jacques Crespin.