No final do mês de agosto de 2021, a Secretaria Estadual da Saúde do Rio Grande do Sul (SES) emitiu um alerta de surto da doença diarreica aguda, conhecido como surto de diarreia.
O alerta foi emitido após 25 municípios do estado registrarem casos de diarreia.
Dados da própria Secretaria indicam que pelo menos 2 mil pessoas estavam contaminadas, no entanto, as estimativas apontam que existam mais casos da virose.
Dados epidemiológicos apontam que a diarreia costuma atingir, em sua maioria, crianças com 5 anos ou menos, o que abre um alerta para ambientes escolares e cuidados necessários para evitar o contágio, principalmente através de objetos compartilhados e o próprio toque.
O quadro da diarréia pode ser acompanhado de dor abdominal, náusea, vômito e febre.
A principal preocupação com essa patologia é que ela pode levar a criança a um quadro de desidratação.
Nesse sentido, alertar a população a respeito da importância do atendimento médico imediato a partir da manifestação dos primeiros sintomas é de extrema importância.
Quais são as causas da doença diarreica aguda e crônica?
De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria, existem dois tipos de diarreia: diarreia aguda, que perdura por menos de 14 dias, e diarreia crônica, quando sua duração ultrapassa as duas semanas.
A grande maioria dos quadros de diarreia aguda tem etiologia infecciosa, principalmente sendo causada por agentes virais. Agentes bacterianos, protozoários e intoxicações alimentares também podem ser responsáveis por quadros de diarréia aguda.
O diagnóstico clínico é simples e deve ser realizado pelo pediatra através da história e exame físico da criança. Exames laboratoriais devem ser realizados em casos mais graves para identificar alterações hidroeletrolíticas decorrentes do quadro diarreico.
O manejo inicial com terapia de hidratação oral (oferecer soro via oral) previne que a criança desenvolva quadro de desidratação aguda.
A diarreia crônica na grande maioria dos casos é ocasionada por quadros de má absorção intestinal.
Suas consequências mais temidas são a desnutrição, parada de crescimento, anemia e outros tipos de deficiências.
A causa mais comum para o surgimento de diarreia crônica em crianças pequenas é a diarreia funcional do lactente, que não provoca quadros de desidratação, nem desnutrição e comumente desaparece próximo aos dois (2) anos de vida da criança.
Em caso de diarreia crônica, é necessário o acompanhamento, além do Pediatra, de um Gastroenterologista Pediátrico, que irá indicar quais exames são necessários para a elucidação do quadro clínico.
O que fazer em caso de diarreia aguda (gastroenterite)?
Como citado anteriormente, a diarreia aguda é uma doença que se resolve dentro de 14 dias, sem necessidade de tratamento específico.
Entretanto, devido às suas consequências, buscar atendimento médico imediato é a conduta ideal para garantir a saúde da criança mediante a situação.
De acordo com a própria SBP, a diarreia aguda normalmente é causada por infecções: 74% delas causadas por vírus; 20% por bactérias; 6% por parasitas intestinais.
Por ser uma doença contagiosa, que é adquirida através do contato com pessoas que possuem o vírus, é necessário tomar cuidados em relação ao ambiente no qual a criança está exposta.
Nesse sentido, além do tratamento de reposição oral e medicações sintomáticas é necessário que a criança fique afastada da escola durante a vigência do quadro diarreico para evitar a contaminação dos colegas.
Importante lembrar que, mesmo que a diarreia aguda seja mais prevalente entre crianças menores de cinco anos, é bastante comum que os adultos da família também sejam infectados.
A vacina Rotavírus, realizada em bebês desde o ano de 2006 promoveu grande diminuição dos casos de internação e morte causados pelo vírus em bebês.
Antibióticos não são recomendados para o tratamento da gastroenterite aguda de etiologia viral, porque o quadro clínico é autolimitado. Além disso, eles podem alterar a flora intestinal normal da criança, devendo ser prescritos somente nos casos de etiologia bacteriana.
O tratamento principal como já citado anteriormente compreende a terapia de reposição oral e alimentação adequada.
Em casa, é importante que os pais continuem estimulando o aleitamento materno, em crianças que ainda se encontram nesse período, além de manter a alimentação habitual e saudável da criança. Tomar cuidado ao ofertar os alimentos, que devem ser oferecidos em volumes pequenos e intervalos curtos.
Dentro deste contexto, manter a calma e a consciência de que a situação tem solução é de extrema importância para a saúde da criança.
É importante agir com rapidez, sem ignorar o quadro sintomático que envolve a diarreia aguda, buscando o atendimento médico pediátrico para uma avaliação mais completa.