A volta às aulas em 2020 é segura? Como proceder em relação à educação dos pequenos durante a pandemia?
O papel que a escola desempenha na vida de uma criança é, sem sombra de dúvidas, indispensável. Porém, no ano de 2020, devido a Pandemia de Covid-19, o ensino precisou se reinventar.
Já se completam quase sete meses de escolas fechadas, professores ministrando aulas online e pais sem saber realmente o que fazer com seus filhos em casa.
Com certeza, o prejuízo causado pelo fechamento das escolas é enorme, pois conta-se com o risco de evasão escolar, de violência, depressão, agravos nutricionais, necessidade de abandono do emprego pelos pais para cuidar das crianças, além de afetar diretamente o desenvolvimento cognitivo e pedagógico.
A grande polêmica do momento é a respeito da reabertura das escolas, afinal, a pandemia não acabou.
Ao mesmo tempo, existem inúmeros prejuízos relacionados ao fechamento das escolas para o desenvolvimento das crianças e adolescentes, bem como impactos diversos à sociedade.
Em meio destas informações, como proceder sobre a retomada das escolas?
Volta às aulas 2020: crianças contraem coronavírus mais facilmente?
Crianças e adolescentes pertencem ao grupo de menor risco para a contração do vírus, pois na maioria dos casos, apresentaram quadros leves ou assintomáticos, por exemplo.
No Brasil, o número total de mortes do grupo etário de 0 a 19 anos, totaliza 0,7% dos casos fatais dentro da pandemia, mesmo que o grupo componha 25% da população total do país.
As hospitalizações também ocorrem em número menor, representando no máximo 3% do total de admissões atribuídas ao Covid-19 em diversos países.
Um estudo realizado pela Universidade de Genebra (Suíça) avaliou 4310 pacientes com Covid. Através da amostra, os pesquisadores observaram que apenas 0,9% possuíam idade igual ou inferior a 16 anos.
Em 92% dos casos, os pacientes com idade igual ou inferior a 16 anos pegaram o covid EM CASA, de pessoas ADULTAS.
Não foram observadas evidências sugerindo que crianças transmitissem o vírus para os adultos.
NENHUM dos pacientes idade igual ou inferior a 16 anos necessitou de UTI ou de medicamentos específicos para melhorar da doença. TODOS melhoraram após 7 dias do início dos sintomas.
A partir disso, podemos obter algumas conclusões:
1) Crianças raramente transmitem Covid-19 para adultos.
2) Crianças raramente precisam de medicamentos específicos.
3) Crianças raramente desenvolvem quadro grave.
O que exatamente vai acontecer? Entenda
De acordo com o portal G1, a Secretaria Estadual da Educação do Rio Grande do Sul (Seduc) publicou um memorando que convoca os servidores do ensino médio e técnico do estado para retorno às atividades presenciais nas escolas a partir de segunda-feira (5).
Além disso, de acordo com o portal Correio do Povo, o retorno parcial das aulas presenciais iniciou nessa segunda-feira em Porto Alegre, com a volta da educação infantil, ensino profissionalizante, terceiro ano do ensino médio e EJA.
Nesta terça-feira (13), segundo dia do retorno, 198 de 289 instituições da rede pública municipal e comunitária reabriram para receber 2.127 crianças de zero a cinco anos.
Na primeira semana do mês de setembro, dados de vigilância epidemiológica do Brasil apontaram para uma tendência de diminuição de casos de internação e morte pela Covid-19.
O acompanhamento desses dados deve ser realizado para que as decisões certas sejam tomadas.
Outro ponto importante é a individualização da tomada de decisões, levando em conta a realidade social de cada estado e cidade em que a quarentena será flexibilizada com a abertura das escolas.

Criador: STEPHANE MAHE Crédito: REUTERS
Na volta às aulas, como garantir a segurança dos pequenos?
Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), os cuidados amplamente divulgados permanecem em vigor e devem ser reforçados frente ao retorno das escolas.
Crianças e adolescentes também necessitam de atenção e cuidados a respeito de higiene e limpeza e é indispensável que o ambiente escolar ofereça os instrumentos necessários para que haja essa higienização todos os dias.
Vamos relembrar alguns cuidados importantes que devem ser reforçados:
- Higienização frequente de mãos;
- Utilização do álcool em gel;
- Evitar colocar as mãos no rosto;
- Usar máscara;
- Limpeza de superfícies;
- Utilização de garrafinha de água própria;
- Estímulo para atividades ao ar livre ou em ambientes arejados;
- Proibição de aglomerações (principalmente na entrada e saída dos alunos da Escola);
- Adoção de medidas de distanciamento social.
Dentro desse planejamento devem ser levadas em conta ações que auxiliem na prevenção do contágio, como a definição de um maior espaçamento entre os alunos dentro da sala de aula.
Outro ponto importante que pode contar com a ajuda dos pais é a medição de sinais e sintomas da doença como febre, tosse, falta de ar e problemas gastrointestinais.
A última e não menos importante ação se encontra na exigência de que os estudantes sigam os protocolos de higiene para evitar o contágio pelo coronavírus.
Em resumo, qual a conduta adequada a ser tomada pelos pais a respeito da volta às aulas em 2020?
As medidas de isolamento social adotadas para o enfrentamento da pandemia confirmaram aquilo que no dia a dia converso com os pais dos meus pacientes.
Independente da pandemia, quanto menos expormos as crianças menores de três (3) anos à ambientes fechados como shoppings center, supermercados, restaurantes e escolinhas, por exemplo, menor será o número de infecções respiratórias dos pequenos pacientes.
Nesse sentido, sou totalmente favorável que os menores de três (3) não retornem às atividades escolares, bem como a frequentar outros lugares públicos fechados onde ficam expostas a infecções por uma série de outros agentes infecciosos, além do coronavírus.
No entanto, acima dos três anos de idade, as perdas cognitivas que podem decorrer da falta das aulas presenciais são muito mais sérias que o potencial risco de desenvolvimento de infecção pelo coronavírus.
Dessa forma, por vivermos sob o medo imposto pela pandemia, cabe aos responsáveis das crianças, levando em consideração as questões clínicas acima expostas e a capacidade da escola de seus filhos implementarem as medidas preventivas necessárias, tomar a decisão do retorno (ou não) de seus filhos às atividades presenciais.
Qual a sua opinião sobre a volta às aulas em nosso estado? Não se esqueça de comentar!