26/04/2021

5 razões pelas quais apoio as escolas abertas na pandemia

5 razões pelas quais apoio as escolas abertas na pandemia

O tema escolas abertas na pandemia costuma dividir opiniões. 

Após mais de 365 dias em convívio com a Covid-19, faço parte do time de profissionais que defende a abertura imediata das escolas, seguindo todas as medidas de segurança no retorno às aulas e a necessidade de incluir os professores e funcionários no grupo prioritário de vacinação.

Neste artigo explico diversos aspectos que justificam a abertura do retorno das aulas presenciais.

Siga a leitura e saiba mais.

Entenda a importância das escolas abertas para desenvolvimento e saúde infantil

Embora medidas emergenciais como a suspensão das aulas presenciais tenham sido pensadas para combater a disseminação do novo coronavírus, pesquisas realizadas pela organização Todos pela Educação mostram que o fechamento das escolas produzirá múltiplos impactos nos alunos e nos educadores.

Após mais de um ano de pandemia, a retomada das aulas presenciais ainda divide opiniões. Porém,  como citei no artigo sobre a volta às aulas em 2020, existem inúmeros prejuízos relacionados ao fechamento das escolas para o desenvolvimento das crianças e adolescentes, bem como impactos diversos à sociedade.

Os argumentos para a retomada gradual da presencialidade, relacionam o afastamento do ambiente escolar com o aumento dos casos de violência contra crianças e adolescentes, das desigualdades sociais e da evasão escolar.

Foram analisados os impactos do último ano de aulas online e isolamento social nos bebês e crianças pequenas, além dos prejuízos aos pré-adolescentes e adolescentes. A situação está ficando pior do ponto de vista do comportamento, desenvolvimento e aprendizagem.

Além disso, o ambiente doméstico não está preparado para as atividades educacionais e as crianças passaram a ter uma rotina excessiva de uso de telas. Entre elas, celulares, tablets e computadores.

De acordo com professores de psiquiatria, tal indefinição provoca ansiedade em adolescentes e, com isso, percebe-se o aumento de registros de vários distúrbios alimentares, de sono e casos de depressão no público infanto juvenil. 

Abaixo explico algumas razões pelas quais defendo o Movimento Escolas Abertas:

1) Isolamento social traz prejuízos na qualidade de sono

O estudo sobre O Papel do Sono nos Transtornos Psiquiátricos Infantis (Candice A. Alfano , Ph.D. e Amanda L. Gamble , Ph.D.) aponta que a má qualidade do sono na infância pode aumentar o risco de doenças psiquiátricas na adolescência. Com a pandemia, as rotinas das famílias foram alteradas e distúrbios de sono começaram a surgir com mais frequência.

2) Nova rotina provocada pelo fechamento das escolas aumentou o uso de telas e diversas doenças

Desde 2016 a Sociedade Americana de Pediatria vem alertando sobre os riscos do uso abusivo de telas na infância, recomendando que crianças entre 6 e 11 anos tenha um uso diário de no máximo duas horas de tela. Acima dessa idade aumentando para três horas diárias. 

Somente em atividades educacionais, em alguns casos são usadas 5 horas diárias de telas, mais que o dobro do preconizado. Somadas as horas de uso recreativo, o uso diário de telas ultrapassa muito o recomendado. Segundo o estudo Covid-19 e obesidade na infância e adolescência, essa prática aumentou o sedentarismo, obesidade, doenças oftalmológicas e tem ocasionado dependência tecnológica.

A falta de contato com outras crianças na escola ou ambientes de convivência, atrasa ou altera o desenvolvimento, na medida em que elas não exercitam a alternância entre o comportamento verbal de ouvinte e falante durante as brincadeiras e atividades realizadas em grupo.

3) Aumento da vulnerabilidade social

Outro ponto de atenção se relaciona às crianças com maior vulnerabilidade social, que  possuíam, na escola, seu ambiente de proteção contra maus-tratos infantis.

Vale lembrar que, para muitas crianças e adolescentes carentes, a escola é o local onde são realizadas as refeições diárias. 

O fechamento do ambiente escolar não reproduz apenas impactos relacionados ao intelecto, mas ao desenvolvimento físico.

Além disso, não podemos esquecer de citar a acentuação da desigualdade entre o ensino privado e o público, por conta das dificuldades técnicas de operacionalizar o ensino remoto em famílias de baixa renda.

4) Taxa de transmissão em crianças e adolescentes é reduzida

Como explica o Manifesto dos Pediatras do Rio Grande do Sul à SPRS, publicado no dia 5 de abril de 2021, o cenário de crise na saúde ocasionado pela pandemia da Covid-19, apesar de gerar desassistência para adultos e idosos, não teve o mesmo impacto na população pediátrica. 

Os relatórios nacionais, assim como a literatura mundial, não demonstraram risco aumentado de adoecimento, internações ou óbitos para crianças e adolescentes, entre 0 e 19 anos. 

Além disso, a taxa de transmissão infantil e adolescente é muito menor quando comparada aos adultos e idosos. Segundo o Centro de Controle de Doenças Europeu (ECDC), “nenhuma evidência foi encontrada” sugerindo que crianças ou cenários educacionais sejam os motivadores principais da transmissão do vírus Sars-CoV-2.

5) Estudos demonstram que escolas apresentam baixas taxas de transmissão

Um estudo publicado na revista científica “JAMA Pediatrics” mostra que o fechamento de escolas nos Estados Unidos teve menor associação com a evolução da pandemia da Covid do que outras mudanças comportamentais, como adultos passarem menos tempo no trabalho.

Além disso, um estudo feito na Austrália e publicado na revista científica “The Lancet” mostrou que as taxas de transmissão de Sars-CoV-2 foram baixas em ambientes educacionais focados na primeira infância durante a primeira onda. 

Através do reforço da adoção das medidas de segurança no retorno às aulas e a inclusão dos professores e funcionários no grupo prioritário de vacinação, a abertura das escolas torna-se ainda mais segura.

Escolas abertas na pandemia: a importância dos protocolos de segurança

Estudos apontam dados sobre a baixa letalidade de crianças e adolescentes pela Covid-19. Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, o percentual de crianças e adolescentes de até 19 anos que morreram após terem sido internados em decorrência do vírus, caiu nos primeiros meses de 2021, em relação à média de 2020.

Isso, somado à adoção dos protocolos de segurança contra a doença, já é um fator que favorece a retomada das aulas.

Nesse contexto, será obrigatório que cada instituição de ensino se organize para receber os alunos, oferecendo meios para que a disseminação do vírus seja contida. 

Dentro dessa organização do ambiente escolar, o distanciamento mínimo entre os alunos de 1,5 metros é essencial para que não haja proximidade. Mudanças como essa trarão impactos no número de estudantes por turma, por exemplo. 

Nos refeitórios, a distância deverá ser ainda maior, sendo de, pelo menos, 2 metros, considerando que os alunos e profissionais de educação precisarão retirar suas máscaras para realizar as refeições.

O uso de máscara seguirá sendo obrigatório, como em todos os espaços públicos. A troca do item deverá ocorrer a cada duas horas para garantir sua eficácia. Após cumprido o tempo de uso, as máscaras não devem ser reutilizadas até que sejam devidamente lavadas e higienizadas, evitando assim, o risco de contaminação.

Além disso, reitero a necessidade de inclusão dos professores e funcionários escolares nos grupos prioritários da vacinação.

As escolas, com adoção dos protocolos sanitários adequados, são ambientes seguros e com menor risco de transmissão do vírus quando comparadas a outros ambientes como supermercados, shoppings e restaurantes.

Possui alguma dúvida sobre o tema? Comente! 

Tags: , , ,

Continue lendo...

Deixe seu comentário